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Moçambique. Mais de 300 militares denunciam abandono pelo Estado após missão contra o terrorismo em Cabo Delgado?

Política
O que está em causa?
Circula nas redes sociais a alegação de que mais de 300 militares das Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM) denunciaram abandono por parte do Estado, depois de cumprirem uma missão de combate ao terrorismo na província de Cabo Delgado. Verdadeiro ou falso?

“Que notícia tão triste”, lamentou um internauta numa publicação difundida a 27 de Agosto, no Facebook, onde se destaca que “mais de 300 militares denunciam que combateram o terrorismo em Cabo Delgado sem qualquer pagamento e que, ao fim de um ano, foram mandados aguardar em casa. O grupo sente-se abandonado pelo Estado e relata situações difíceis por falta de logística”.

Esta história tem fundamento?

De facto, um grupo de jovens oriundos de várias regiões de Moçambique cumpriram o Serviço Militar Obrigatório e, após a desmobilização, responderam à convocatória para reforçar as forças militares em Cabo Delgado. Estiveram na linha da frente do combate ao terrorismo, mas afirmam não ter recebido qualquer remuneração.

“Fui formado em Chókwè, na 8.ª Brigada, em 2018, e fui desmobilizado em 2020. O Ministério da Defesa lançou um documento do Batalhão 110, da Moeda, que solicitava desmobilizados para serem reintegrados e regressarem às Forças Armadas, para defender a nação. Nós vimos o documento e seguimos. Havia indicação para nos deslocarmos para o PCC de Macomia, em Cabo Delgado. Quando chegámos, disseram que a nossa reintegração estava em Catupa”, contou um dos militares à imprensa.

Segundo os relatos, os militares foram enviados para o terreno sem remuneração e receberam apenas quatro mil meticais para transporte após a missão.

“Ontem, uma comitiva veio dizer que a nossa reintegração ainda não tinha sido aprovada e que tínhamos de aguardar em casa. Ficámos espantados e perguntámos como iríamos sobreviver, já que estamos há um ano sem receber nada. No meu caso, deixei a minha esposa e a minha filha recém-nascida em casa e não podia enviar dinheiro. Durante três meses, não tinha nada para comer e tive de viver apenas de hortaliças, sem sal e sem óleo. Passámos grandes dificuldades. Quando finalmente recebemos comida, perguntámos quando iríamos começar a ter apoio, mas disseram-nos que a reintegração ainda estava em processo”, relatou outro militar.

Recorde-se que a província de Cabo Delgado tem sido alvo de ataques de grupos extremistas desde Outubro de 2017, obrigando as Forças Armadas de Moçambique a manterem operações regulares de combate ao terrorismo na região.

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Avaliação do Polígrafo África:

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