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Moçambique. Mais de 700 pessoas morreram durante a primeira fase da greve dos profissionais de saúde?

Sociedade
O que está em causa?
De acordo com uma publicação nas redes sociais, mais de 700 pessoas morreram durante o primeiro período da greve dos profissionais de saúde, iniciada em janeiro de 2026, em vários hospitais do território moçambicano. Será verdade?

“Greve dos médicos resultou em mais de 700 mortes. Agora que querem prolongar a greve, como é que vai ser?”, denuncia-se numa publicação feita a 16 de Fevereiro, na rede social Facebook.

“Perguntem a esse governo que vocês tanto apoiam, o que o cidadão comum responderá”, reagiu um internauta, manifestando indignação.

Mas esta informação é verdadeira?

Sim. A Associação dos Profissionais da Saúde Unidos e Solidários de Moçambique (APSUSM) confirmou a veracidade dos dados, esclarecendo que as mortes estão associadas à falta de meios médicos.

“Não é porque nós gostamos disso, mas estes números resultam da falta de meios de diagnóstico e da falta de medicamentos. Decidimos agora tornar público aquilo que acontece dentro das unidades sanitárias”, afirmou Anselmo Muchave, presidente da agremiação, em declarações ao Polígrafo África.

“Antes da greve, as mortes eram ainda maiores. Na verdade, a maioria dos directores hospitalares ocultava esses dados, o que demonstra a situação instalada no Sistema Nacional de Saúde”, acrescentou.

Na segunda-feira, 16 de Fevereiro, a APSUSM anunciou o prolongamento da greve iniciada em Janeiro por mais 30 dias, alegando falta de acordo com o Governo nas negociações do caderno reivindicativo da classe.

Entre as principais exigências constam o pagamento integral do 13.º salário, melhores condições de trabalho nas unidades sanitárias e a resolução da escassez de medicamentos e materiais hospitalares.

Entretanto, o ministro da Saúde, Ussene Isse, reagiu ao anúncio e admitiu que tem havido paralisações nas unidades sanitárias em todo o país. O governante acusou ainda a comunicação social de estar a incitar a greve no sector.

“Temos de combater a greve. Dispomos de mecanismos internos de trabalho e de diálogo. Peço, com humildade, que nos ajudem a ultrapassar esta situação enquanto comunicação social e que não incitem este tipo de práticas, porque a área da saúde é vital. A greve não pode ser motivo de celebração. Cada um tem os seus direitos, mas isso não significa deixar de trabalhar”, declarou à imprensa.

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Avaliação do Polígrafo África:

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