A denúncia, que ganhou grande visibilidade no Facebook no dia 26 de Novembro, afirma que o Porto de Maputo estaria a “fornecer material bélico letal para Israel”. A publicação foi amplamente partilhada, alimentando especulações online.
Paralelamente, três organizações da sociedade civil divulgaram um comunicado de imprensa, ao qual o Polígrafo África teve acesso, alegando que, recentemente, um navio denominado Holger G teria atracado no porto e carregado cerca de 440 toneladas de material de uso militar destinado à Elbit Systems, o maior fabricante de armas de Israel. A carga incluiria projécteis de artilharia, componentes de morteiros e aço de uso militar, supostamente utilizados no conflito em Gaza.
As organizações pedem que o Governo de Moçambique adopte medidas urgentes para impedir futuras transferências ilegais de material militar ou de dupla utilização para Israel. Solicitam ainda que seja proibida a entrada, assistência ou trânsito portuário de navios com esse tipo de carga.
Mas confirma-se que o Porto de Maputo tem sido usado como corredor de armas para Israel?
A resposta é não. Num comunicado de imprensa, a Sociedade de Desenvolvimento do Porto de Maputo (MPDC) desmentiu categoricamente a informação, classificando-a como falsa.
“Os nossos sistemas de controlo de navegação confirmam que o navio mencionado na publicação — MV Holger G — não atracou em nenhum terminal do Porto de Maputo”, lê-se no documento.
A MPDC esclarece, no entanto, que o navio esteve fundeado a cerca de 55 quilómetros do porto.
“Os registos indicam apenas que o navio esteve fundeado no dia 19 de Novembro na Boia 1N (a 30 milhas náuticas, ou seja, 55 km dos nossos cais), no limite norte do canal de acesso, onde realizou exclusivamente uma operação de abastecimento de combustível (bunkering) através da embarcação CPG ALMA. Após esta operação, o navio partiu às 06h12 do dia 20 de Novembro.”
O Porto de Maputo reafirma o seu compromisso com o cumprimento rigoroso das normas internacionais aplicáveis às operações portuárias, garantindo total transparência e rastreabilidade de todos os movimentos na sua área de jurisdição.
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Avaliação do Polígrafo África:




