“Angola tem soluções. Angola tem 35 milhões de hectares de terras aráveis, 1.600 quilómetros de extensão marítima. Só vai para fora quem não tem ousadia”, declarou Norberto Garcia, director do Gabinete de Estudos e Análises Estratégicas (GEAE), numa transmissão em directo no TikTok, a 8 de Março.
O director do GEAE, órgão de assistência ao Presidente da República de Angola sob tutela da Casa Militar, proferiu tais declarações com o objectivo de desincentivar o êxodo de jovens angolanos para a Europa, aconselhando-os a tirar proveito dos recursos e oportunidades existentes no país.
“Emigrar é uma ilusão. Ninguém lá fora vos vai tratar melhor do que aqui. Se ela vendeu as coisas cá, era muito mais fácil ter um negócio aqui. Vou dar vários exemplos de negócio em Angola. Se formos amanhã ao ’30’, compramos produtos e vendemos nas centralidades. Os turcos que vêm para Angola agarram em motorizadas de três rodas e vendem produtos nas centralidades. Há chineses que estão a zungar. O problema é que muitos de nós temos vergonha de fazer alguns trabalhos”, argumentou Garcia.
A alegação sobre as terras aráveis em Angola tem fundamento?
Os dados disponíveis apontam que sim. No ano passado, o então ministro da Agricultura, António Assis, afirmou que o país dispõe de 35 milhões de hectares de terras aráveis, mas que “apenas 17,2%” desse potencial é actualmente explorado para agricultura.
Na altura, Assis indicou que 90% da produção agrícola em Angola é realizada por pequenas explorações familiares, enquanto apenas 10% é conduzida por empresas.
Entretanto, entre 2022 e o primeiro semestre de 2024, Angola gastou 17 mil milhões de dólares na importação de bens, o que demonstra a dependência do país em relação ao mercado externo, apesar do elevado potencial agrícola.
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Avaliação do Polígrafo África:



