Na noite de terça-feira, 16 de Dezembro, um dia após a aprovação do OGE para o próximo ano, com 120 votos a favor e 79 contra, estes últimos da UNITA, maior partido da oposição, o deputado Olívio Kilumbo recorreu às redes sociais para expressar a sua indignação face à alegada disparidade entre o montante destinado ao programa de combate à malária e o orçamento da Casa Militar do Presidente da República.
“Análise: a criminosa desproporção entre desperdício e sobrevivência. A escolha é óbvia. O Governo, não. Enquanto 35 a 40 pessoas morrem por dia de malária em Angola, o orçamento para proteger uma pessoa (o Presidente) é 24 vezes maior do que o destinado ao combate à doença. Casa Militar: 2,120 milhões USD. Malária: 88 milhões USD. Isto é prioridade ou negligência?”, escreveu Kilumbo.
Além disso, o deputado referiu que, alegadamente, o Governo despende 178 vezes mais verbas na subsidiação dos combustíveis do que no combate àquela que classificou como a doença “mais mortífera” do país. Kilumbo apontou ainda a falta de medicamentos e de mosquiteiros como algumas das principais causas das mortes diárias por malária nas unidades hospitalares.
Mas confirma-se que morrem entre 35 e 40 pessoas por dia de malária em Angola?
Não exactamente. Os dados apresentados pelo deputado não são totalmente rigorosos. Em Abril deste ano, por ocasião das comemorações do Dia Mundial da Malária, as autoridades angolanas informaram que, em 2024, foram registados 11.447 óbitos por malária no país, o que corresponde a uma média aproximada de 31 mortes por dia.
De acordo com cálculos do Polígrafo África, a média mensal de óbitos por malária no referido ano situou-se em cerca de 381 mortes.
Segundo o Relatório Mundial sobre a Malária da Organização Mundial da Saúde (OMS), Angola ocupa a quarta posição entre os países africanos com maior aumento de casos da doença, tendo registado mais 420 mil novos casos. A malária continua, assim, a ser uma das principais causas de morte no país.
O relatório indica que a Etiópia lidera a lista com mais 2,9 milhões de novos casos, seguida de Madagáscar (+1,9 milhões). A República Democrática do Congo surge em terceiro lugar (+762 mil), enquanto o Ruanda fecha o top cinco, com 351 mil novos casos adicionais.
De acordo com a OMS, dos cerca de 280 milhões de casos de malária registados em 2024 a nível mundial, aproximadamente 95% ocorreram em África, resultando em cerca de 600 mil mortes.
Apesar dos números elevados, o Executivo angolano tem vindo a reforçar o orçamento do programa de combate à malária. Em 2025, o sector registou o maior orçamento de sempre e, para o próximo exercício económico, o Governo prevê um novo aumento das verbas destinadas ao combate à doença.
_____________________________________
Avaliação do Polígrafo África:




