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Os altos quadros e deputados do Grupo Parlamentar da UNITA são todos naturais ou filhos de ovimbundos?

Política
O que está em causa?
Há muito que a UNITA, partido fundado no Leste de Angola em 1966, enfrenta acusações de tribalismo. Neste fim de semana, o tema voltou a ganhar destaque depois de um internauta da rede social Facebook ter publicado que os jovens deputados do Grupo Parlamentar da UNITA “são todos filhos” de dirigentes do partido e oriundos da zona Sul do país. Em reacção, o antigo vice-presidente da UNITA, Ernesto Mulato, questionou se o autor da publicação sabia “com quantos anos de militância” Mfuca Muzemba entrou na Assembleia Nacional, bem como a sua origem.

“Olhem para o enorme tribalismo e nepotismo da UNITA como um retrocesso para o desenvolvimento de Angola. Quem não é do Sul nem filho de um dos grandes da UNITA pode ser muito inteligente e bom mobilizador, mas nunca será nada nem ninguém no partido. Se têm dúvidas, olhem para os jovens deputados da UNITA: todos são filhos dos grandes da UNITA”, lê-se na publicação.

O conteúdo não passou despercebido e conta já com mais de 70 reacções, mais de 140 comentários e mais de uma dezena de partilhas.

Entre os internautas que contestaram o teor do post está o cofundador e antigo vice-presidente da UNITA, Ernesto Mulato, que considerou que o autor da publicação é militante do MPLA e alegadamente integra um grupo de jovens que se autoprejudicam por “interesses materiais”.

“Estás a perder o teu tempo. És do MPLA, fala do vosso MPLA e deixa a UNITA em paz. O povo está mais do que esclarecido. Sabem de quem é filho e quantos anos de militância tinha Mfuca Muzemba quando entrou na Assembleia Nacional?”, questionou Ernesto Mulato.

Entretanto, vários internautas associaram-se à contestação de Mulato, embora outros tenham reiterado que a UNITA é, de facto, uma organização tribal.

Mas será verdade que os altos quadros e deputados do Grupo Parlamentar da UNITA são todos naturais ou filhos de pessoas da zona Sul?

Antes de responder à questão, importa referir que o Polígrafo África não entra no mérito se a UNITA é ou não uma organização tribal, embora seja evidente que, ao longo do conflito armado, teve maior implantação junto da etnia ovimbundu, a mais representativa do país em termos demográficos.

Quanto à origem dos seus altos quadros e deputados à Assembleia Nacional, não é verdade que todos sejam naturais ou descendentes de pessoas da zona Sul e Centro, embora a maioria tenha, de facto, origem nessas regiões.

Dados da Assembleia Nacional indicam que, na sequência dos resultados das últimas eleições, o partido conta com 90 deputados, alguns provenientes da sociedade civil e outros eleitos pelas listas do PRA-JA e do Bloco Democrático.

Mesmo excluindo os nomes oriundos das listas dos parceiros no âmbito da Frente Patriótica Unida (FPU), a própria UNITA incluiu nas suas listas vários deputados que não pertencem à etnia ovimbundu. Entre eles estão Joaquim Nafoia, da Lunda-Norte; Mihaela Webba, de Luanda, filha de pais oriundos de Luanda e Malanje, sem ligação ancestral à UNITA; Esteves Diavova e Félix Simão Lucas, naturais da província do Uíge; Joel Pacheco, do Bengo; e Mardanês Agostinho Calunga, de Malanje, entre outros.

Ao nível da liderança dos órgãos do partido, vários secretariados provinciais são dirigidos por quadros oriundos de diferentes regiões do país, como Cabinda, Zaire, Luanda e Malanje, entre outras.

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Avaliação do Polígrafo África:

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