A onda de publicações tornou-se viral após informações que davam conta de que o conhecido humorista Cesalty, que interpreta a personagem “Tia Bolinha”, do grupo Os Tuneza, teria violado a filha de criação.
Depois de horas detido, o humorista foi restituído à liberdade mediante termo de identidade e residência. Seguidamente, juntamente com a esposa, que inicialmente o terá denunciado, alegadamente devido a uma briga conjugal, realizou uma transmissão em directo, na qual ambos apelaram à união entre casais, evitando, porém, detalhar os motivos que terão levado à detenção.
O caso gerou acesos debates nas redes sociais, entre homens e mulheres, com vários perfis femininos a acusarem os homens de insensibilidade e a apelarem às mães solteiras para que sejam cautelosas na escolha do próximo parceiro.
“Os padrastos lideram o ranking de abusadores sexuais. Se és mãe solteira, escolhe bem o padrasto que vais dar aos teus filhos. Todo o cuidado é pouco”, lê-se numa das publicações que se tornaram virais.
Mas será verdade que os padrastos lideram os casos de abuso sexual?
Desde há largos anos que o número de denúncias e de casos confirmados de abuso sexual de menores preocupa as autoridades.
Foi com o intuito de mitigar estas situações que o Governo, em 2007, de acordo com um estudo da consultora Afrobarometer, adoptou os “11 Compromissos com as Crianças”, visando concretizar os valores expressos na Convenção dos Direitos da Criança das Nações Unidas.
Em 2024, a Primeira-Dama da República, Ana Dias Lourenço, ao intervir numa mesa-redonda sobre “violência infanto-juvenil”, promovida pela Organização das Primeiras-Damas Africanas para o Desenvolvimento (OPDAD), prometeu empenhar-se pessoalmente no combate ao abuso e à exploração sexual de crianças e adolescentes. Na ocasião, apelou ainda a que os magistrados fossem rigorosos na aplicação das penas aos abusadores.
O que dizem os números?
Os registos mostram que o número de casos de violência sexual contra menores tem variado de ano para ano. Entre Junho de 2020 e Junho de 2021, registaram-se pouco mais de 4.000 casos de abuso sexual. Já entre Março de 2021 e Março de 2022 foram contabilizados mais de 4.700 casos. Em 2024, registaram-se mais de 1.500 casos, uma redução significativa, sendo a maioria praticados pelos próprios pais, médicos, professores, líderes religiosos e agentes da autoridade.
Entretanto, em 2025, os dados do Instituto Nacional da Criança (INAC), obtidos através do canal SOS-Criança, apontam para mais de 460 casos. Em termos profissionais, a lista é liderada por professores (65 casos) e taxistas (56 casos).
Fica, assim, evidente que é falso que os padrastos liderem o ranking de abusadores sexuais. Contudo, em 2024, os padrastos, em conjunto com os pastores, lideraram a lista dos casos de abuso infantil que deram entrada no Lar Kuzola, o que poderá ter contribuído para a percepção amplificada nas redes sociais.
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Avaliação do Polígrafo África:


