“Paulo de Almeida, enquanto comandante-geral da Polícia Nacional, teve uma comunicação muito ríspida para com os cidadãos. Inclusive, tinha dito que, se atacas com pistola, nós atacamos com arma. Se atacas com arma, nós atacamos com bazuca. Nem que for um míssil intercontinental.” A declaração foi proferida pelo também docente universitário no programa “Equilíbrio”, transmitido no domingo, 23 de Agosto.
Durante a sua intervenção no tema “Após tumulto no Uíge, MININT diz que Polícia é republicana e avança com processo-crime”, Carlos Cabaça lamentou a comunicação “pouco pedagógica” da liderança da PNA, sublinhando a necessidade de se ter uma postura mais “educativa e não intimidatória”.
Além de apelar às autoridades policiais para uma abordagem mais “moderada”, o jurista incentivou ainda o comandante-geral da PNA a orientar os efectivos a cumprirem a “lei e não a vontade de quem quer que seja”.
As declarações do comentador do XAA surgem depois de a PNA ter afirmado que a actuação no Uíge foi para “repor a ordem pública” na província.
Mas será verdade que o antigo comandante da PNA terá afirmado que o Estado responderia com bazuca caso fosse atacado com arma?
Sim, a afirmação é verdadeira.
Em 2021, após incidentes em Cafunfo, na Lunda-Norte, o então comandante-geral da PNA, Paulo de Almeida, afirmou que o Estado responderia com bazuca caso fosse atacado com arma.
“Se você atacar o Estado angolano com faca, ele responde-te com pistola, se estiver a atacar com pistola, responde-se com AKM, se você estiver a atacar com AKM, ele responde-te com bazuca”, declarou o ex-líder dos serviços castrenses angolanos.
A declaração de Paulo de Almeida surgiu depois de uma alegada tentativa de invasão, por membros afectos ao Movimento do Protetorado Português da Lunda Tchokwe (MPPLT), de uma esquadra policial na cidade diamantífera, tendo o confronto entre autoridades e populares provocado várias mortes e feridos.
Após os incidentes, a Igreja Católica, por intermédio da Conferência Episcopal de Angola e São Tomé (CEAST), considerou a actuação da PNA nacional como “grave massacre” de manifestantes ligados ao Protetorado Lunda Tchokwe.
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