“Façam constar à comunidade internacional e outros organismos de direitos humanos que o gás que recebemos hoje já está fora do prazo“, denuncia-se numa publicação de 21 de Outubro no Facebook, em referência a uma manifestação nesse dia em Maputo, promovida por Venâncio Mondlane, que foi reprimida pela Polícia da República de Moçambique (PRM) através do lançamento de gás lacrimogéneo contra o local onde Mondlane prestava declarações aos jornalistas.
A publicação exibe a imagem de uma cápsula de gás lacrimogéneo, fora do prazo de validade, que terá sido recolhida desse local. “O lote 19 que a polícia usou hoje expirou em 2014, ou seja, tem 10 anos fora do prazo”, sublinha o autor da denúncia.
“Eu estou neste momento com náuseas e fiquei por muito tempo com confusão mental. Muitos relatam vómitos, dores fortes na garganta de forma prolongada. O que aconteceu hoje foi uma tentativa de assassinatos em grande escala”, acusa.
A alegação sobre o gás lacrimogéneo fora do prazo de validade é verdadeira?
Que a PRM lançou gás lacrimogéneo sobre os manifestantes em Maputo, a 21 de Outubro, não há qualquer dúvida. Foi amplamente reportado na altura por vários órgãos de comunicação social.
“A polícia moçambicana lançou esta segunda-feira gás lacrimogéneo contra o local onde o candidato presidencial Venâncio Mondlane fazia declarações aos jornalistas, a apelar à calma no âmbito da marcha que convocou, obrigando o político a fugir. O candidato falava com os jornalistas junto à rotunda da Organização das Mulheres Moçambicanas, no início da Avenida Joaquim Chissano, no centro de Maputo. (…) Os manifestantes que se encontravam no local estavam a tentar fazer um cordão humano, mas a polícia voltou a lançar gás lacrimogéneo“, informou a Agência Lusa.
Em declarações ao Polígrafo África, Mousinho Cavel, especialista em Química que esteve presente na manifestação e foi alvo do gás lacrimogéneo, garante que também recolheu “cápsulas das granadas que contêm data vencida“.
Por outro lado, o Polígrafo África questionou a PRM sobre estas alegações, mas não obteve resposta até à data de publicação deste artigo.
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Avaliação do Polígrafo África:


