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Presidenciais em Portugal. André Ventura foi o candidato mais votado entre os PALOP?

Política
O que está em causa?
O líder do Chega, partido que lidera a oposição portuguesa desde as legislativas de 2024, André Ventura, ficou em segundo lugar na eleição presidencial realizada no domingo, dia 18, atrás de António José Seguro. No entanto, nas redes sociais multiplicaram-se comentários que afirmam, com surpresa, que Ventura teria sido, entre os 11 candidatos, o mais votado pelos eleitores portugueses residentes nos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP). Confirma-se esta informação?

Pela primeira vez em 40 anos, dois candidatos à Presidência da República Portuguesa, António José Seguro e André Ventura, vão disputar uma segunda volta eleitoral, uma vez que o candidato mais votado, José Seguro, não alcançou a maioria absoluta dos votos (mais de 50%). A última vez que se registou um cenário semelhante foi em 1986, quando Mário Soares e Freitas do Amaral avançaram para a segunda volta.

Em Angola, ao que tudo indica, André Ventura é, entre os candidatos às presidenciais portuguesas de 2026, o político mais conhecido junto da opinião pública local. Tal deve-se, em grande medida, à sua postura crítica em relação à imigração em Portugal, bem como ao discurso frontal e confrontacional dirigido ao Governo angolano e ao seu Presidente.

Enquanto alguns se revêem na retórica do líder do Chega quanto às causas da actual situação socioeconómica de Angola e à forma como o país é governado, outros consideram que Ventura tem ultrapassado limites no tratamento de assuntos relacionados com Angola, além de lhe apontarem atitudes racistas e xenófobas quando se refere a imigrantes negros em Portugal, sobretudo oriundos de países africanos de língua portuguesa.

Neste contexto, em vários grupos de WhatsApp tem sido questionada a coerência dos eleitores portugueses emigrados e residentes no espaço dos PALOP, pelo facto de apoiarem um candidato que se posiciona contra a imigração no seu país de origem, ignorando que muitos dos seus próprios compatriotas emigraram em busca de melhores condições de vida noutras geografias.

“É difícil compreender este movimento dos portugueses. André Ventura, que representa o pior, foi o candidato presidencial mais votado em todo o espaço PALOP. É estranho que eleitores portugueses residentes em África defendam o encerramento das fronteiras portuguesas para nós, africanos, mas esperem que as nossas fronteiras estejam abertas para eles. Quanta arrogância e hipocrisia”, lê-se numa mensagem partilhada em alguns grupos de WhatsApp.

Também no Facebook, vários perfis de jornalistas, analistas e políticos angolanos manifestaram desagrado com a alegada vitória de André Ventura entre os eleitores portugueses residentes no continente africano.

Mas será verdade que André Ventura foi o candidato presidencial mais votado nos PALOP?

Os dados disponíveis no site da Comissão Nacional de Eleições (CNE) portuguesa indicam que, em rigor, essa informação não corresponde à verdade.

António José Seguro, antigo secretário-geral do Partido Socialista (PS) entre 2011 e 2014, foi o candidato mais votado a nível global, com pouco mais de 1,7 milhões de votos, correspondentes a 31,11%, contra cerca de 1,3 milhões de votos (23,52%) obtidos por André Ventura.

No que diz respeito à diáspora, e em particular aos países que integram o espaço PALOP, António José Seguro foi igualmente a escolha maioritária dos eleitores portugueses. Embora tenha perdido em Angola, onde, de um total de 2.752 eleitores inscritos, apenas 108 votos foram contabilizados ainda, o que corresponde a cerca de 4% de participação, Seguro obteve 23,36% dos votos, contra 42,06% de André Ventura. O mesmo se verificou em Moçambique, onde o líder do Chega alcançou 30,19% dos votos, num universo de cerca de 9 mil eleitores inscritos, mas com apenas perto de 800 votos registados, correspondentes a uma taxa de participação de 8,88%.

António José Seguro venceu, contudo, de forma clara na Guiné-Bissau (41,38%), em  Cabo Verde (56,32%) e em São Tomé e Príncipe (53,33%).

 

Em países como Cabo Verde e Guiné-Bissau, André Ventura não chegou sequer ao segundo lugar. Na cidade da Praia, ficou em quinto lugar, com apenas 5,40% dos votos, enquanto em Bissau alcançou a terceira posição, com 17,24% dos votos apurados.

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Avaliação do Polígrafo África:

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