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Primeiro golpe de Estado em África ocorreu em 1963, no Togo, como escreveu o general Lukamba Gato?

Política
O que está em causa?
Os golpes de Estado e o consequente derrube de governos em África têm-se intensificado nos últimos anos. Numa incursão histórica sobre o fenómeno, Lukamba Gato, general na reforma e destacado militante da UNITA, afirmou que o primeiro estadista derrubado no continente africano foi o Presidente do Togo, Sylvanus Olympio, em 1963. Confirma-se?
Fotomontagem

Após o surgimento da Covid-19, o continente africano registou vários golpes de Estado. Entre 2020 e 2025, pelo menos nove países africanos viveram situações de derrube dos respectivos governos: Mali, Chade, Guiné, Sudão, Burkina Faso, Níger, Gabão, Madagáscar e Guiné-Bissau. Este último caso, alegadamente ocorrido no final do ano passado, foi considerado uma “farsa” por vários especialistas.

Os golpes de Estado têm ocorrido sobretudo na África Ocidental e na região do Sahel, em particular em países pertencentes à Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO).

A sucessão de golpes mereceu uma contextualização histórica por parte de Lukamba Gato, general na reforma e militante da UNITA, maior partido da oposição em Angola. Na sua página do Facebook, o histórico dirigente dos “maninhos” afirmou que o primeiro derrube de um chefe de Estado no continente africano ocorreu na década de 1960, no Togo.

“Sabia que o primeiro golpe de Estado em África foi em 1963, no Togo, contra o Presidente Sylvanus Olympio?”, escreveu Lukamba Gato.

Mas será verdade que o primeiro golpe de Estado em África ocorreu em 1963, no Togo?

Sim, mas com nuances. De acordo com os registos históricos, o golpe de Estado no Togo, ocorrido a 13 de Janeiro de 1963, em Lomé, foi o primeiro golpe militar num Estado africano plenamente soberano. O episódio culminou com o assassinato de Sylvanus Olympio, primeiro Presidente da República Togolesa.

O golpe aconteceu apenas três anos depois da independência do país em relação à França, proclamada a 27 de Abril de 1960.

Contudo, antes do Togo, o Egipto já tinha registado um golpe de Estado em 1952, trinta anos após a independência formal do país, alcançada em 1922. Ainda assim, vários historiadores consideram que o Egipto continuava sob forte influência britânica em determinados sectores estratégicos.

A 23 de Julho de 1952, o Movimento dos Oficiais Livres, liderado pelo coronel Gamal Abdel Nasser, derrubou o rei Farouk, pondo fim à monarquia egípcia.

Em 1954, Nasser consolidou o controlo político do país e, dois anos depois, nacionalizou a companhia responsável pela administração do Canal de Suez, cujos principais accionistas eram britânicos e franceses.

Em declarações ao Polígrafo África, o especialista em Relações Internacionais Cristiano Papo Seco afirmou que, antes do golpe no Togo, já o rei egípcio tinha sido deposto, ainda num contexto marcado pela influência colonial britânica.

Por essa razão, o especialista considera que o golpe no Togo pode ser entendido como o primeiro golpe de Estado na África Subsaariana pós-independência ou o primeiro ocorrido num Estado africano plenamente soberano na década de 1960, conhecida como o “ano de África”.

Por sua vez, Daniel Panzo, também especialista em Relações Internacionais, sublinhou que muitos académicos consideram o golpe de Estado no Togo como o primeiro ocorrido num Estado africano soberano, uma vez que o país já era “independente e reconhecido internacionalmente”.

“Diferentemente do Egipto, que apesar de ter alcançado a independência em 1922 não detinha soberania plena, o Togo já era um Estado plenamente independente. Por isso, muitos autores consideram o golpe de 1963 como o primeiro golpe de Estado num país soberano da África Subsaariana”, explicou Panzo.

Entretanto, a década de 1960 marcou o início de uma sucessão de golpes de Estado no continente africano. Em 1966, por exemplo, Kwame Nkrumah, primeiro Presidente do Gana e defensor do projecto dos “Estados Unidos de África”, foi deposto a 24 de Fevereiro.

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Avaliação do Polígrafo África:

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