O primeiro jornal lusófono
de Fact-Checking

Profissionais de saúde em Moçambique avançam para nova greve de 30 dias a partir de 17 de Abril?

Sociedade
Este artigo tem mais de um ano
O que está em causa?
Circulam nas redes sociais diversas publicações a afirmar que os profissionais de saúde em Moçambique irão retomar a greve geral a partir do dia 17 de Abril, exigindo ao Governo o pagamento de horas extraordinárias e melhores condições de trabalho.

De acordo com uma publicação no Facebook, datada de 14 de Abril, “os profissionais de saúde vão suspender o atendimento hospitalar fora do horário normal, compreendido entre as 7h30 e as 15h30, e recusam-se a trabalhar aos feriados e fins-de-semana, numa forma de protesto que visa exigir melhores condições laborais e o pagamento das horas extraordinárias por parte do Governo”.

Esta paralisação corresponde à primeira fase daquilo a que a direcção da Associação dos Profissionais de Saúde Unidos e Solidários de Moçambique (APSUSM) designa por greve.

A iminência da greve já está a gerar preocupação entre os cidadãos, sobretudo nas redes sociais, onde se multiplicam os comentários apreensivos sobre os impactos da paralisação.

Confirma-se?

Sim. O Polígrafo África teve acesso a um comunicado de imprensa da APSUSM, no qual é confirmada a retoma da paralisação, com início marcado para a próxima quinta-feira, dia 17 de Abril. A greve deverá prolongar-se por 30 dias e implicará a suspensão do atendimento hospitalar fora do horário normal de expediente, que decorre das 7h30 às 15h30. Aos fins-de-semana e feriados também não haverá prestação de serviços.

No comunicado, a APSUSM justifica a decisão com a “falta de observância no pagamento das horas extraordinárias, subsídios de turno e até do descanso semanal recomendado por lei”, o que levou a associação a anunciar a suspensão do regime de turnos. Esta medida, segundo a nota, visa pressionar o Governo a encontrar soluções orçamentais para a regularização dos valores em dívida.

“A suspensão do trabalho em regime de turnos tem como objectivo garantir ao Governo tranquilidade no cálculo e na busca de orçamentos para o pagamento das horas extraordinárias, turnos e outras dívidas, incluindo guias de transferência. Denunciamos ainda a continuidade das transferências de pacientes entre unidades sanitárias e entre províncias sem qualquer compensação financeira aos profissionais de saúde envolvidos”, lê-se no documento.

Recorde-se que a mais recente ameaça de greve tinha sido anunciada para o final de Março. No entanto, a APSUSM decidiu suspender temporariamente a paralisação, após o Governo solicitar um encontro com a direcção da APSUSM, agendado para o dia 3 de Abril, com vista ao reatamento do diálogo.

Apesar dessa tentativa de aproximação, os profissionais de saúde alertaram, desde logo, que a greve seria retomada caso as suas exigências não fossem atendidas.

Em Março, o ministro da Saúde, Armindo Tiago, considerou que uma eventual paralisação no sector seria “um desastre”, apelando ao diálogo e à compreensão dos profissionais.

_______________________________________

Avaliação do Polígrafo África:

Partilhe este artigo
Facebook
Twitter
WhatsApp
LinkedIn

Relacionados

Rumores que circulam nas redes sociais alegam que o Fundo Monetário Internacional (FMI) terá recusado conceder um novo empréstimo ao Governo de Moçambique, liderado pelo Presidente Daniel Chapo. Será verdade? ...

Em destaque