“Em termos de electrificação, já estamos à volta dos 68%. Ou seja, quase todos os angolanos têm energia. Nós temos dois milhões de clientes”, declarou o administrador durante uma mesa-redonda dedicada à viabilidade e sustentabilidade financeira das empresas públicas.
Raimundo Rosa reconheceu, no entanto, que persistem entraves na distribuição da electricidade produzida, apontando o “défice de integração dos sistemas e das fontes de geração” como principal obstáculo. Sublinhou ainda que este é um “problema que não é muito imediato”. Para a sustentabilidade da empresa, defendeu melhorias na cobrança aos clientes, lembrando que “há pouca cultura” de pagamento do consumo eléctrico, tanto entre empresas como entre particulares.
Segundo o administrador, o sector da energia acumulou, nos últimos cinco anos, prejuízos na ordem dos 500 milhões de dólares. Apesar disso, assinalou “sinais de melhorias” no exercício em curso, aguardando pelo fecho do ano para uma avaliação completa.
Mas será verdade que a taxa de electrificação já atinge 68%?
Os dados disponíveis não confirmam a afirmação do responsável da ENDE. De acordo com informações recentes do ministro da Energia e Águas, João Baptista Borges, a taxa de electrificação nacional situa-se em cerca de 44%, caindo para 10% nas zonas rurais.
Também em Maio deste ano, durante o III Fórum Energia e Ambiente promovido pelo Jornal Expansão, o director de Planeamento Estratégico e Controlo de Gestão da ENDE, Isequiel Manuel, indicou que 46% da população angolana tem acesso à electricidade, correspondendo a 2,6 milhões de ligações à rede pública. O mesmo responsável estimou que a “luta” do Governo é alcançar 50% até 2027, o que significaria 3,6 milhões de ligações.
Para chegar a metade da população, advertiu o secretário de Estado para a Energia, Arlindo Bota, será necessário um investimento de 12 mil milhões de dólares. O Executivo prevê ainda elevar a taxa de electrificação para 72% até 2050, meta que contrasta com os Objectivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas, que apontam para cobertura universal de 100% já em 2030, compromisso também assumido por Angola.
A equipa do Polígrafo África tentou obter esclarecimentos adicionais junto do gabinete de comunicação da ENDE, mas não obteve resposta.
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Avaliação do Polígrafo África:


