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Representação da ONU em Angola considera que saída dos EUA de agências pode abrir espaço a novos financiadores

Internacional
O que está em causa?
Os Estados Unidos da América (EUA), maior financiador da Organização das Nações Unidas (ONU), anunciaram a sua retirada de dezenas de agências da organização e de outras iniciativas de assistência social, gerando grande preocupação a nível internacional. No entanto, a Representação da ONU em Angola assegura que a decisão não compromete, a longo prazo, a sustentabilidade da organização, sublinhando a necessidade de reforçar a diversidade de financiadores.

Em declarações ao Polígrafo África, Emanuel Paim, quadro sénior do Gabinete da Representante da ONU em Angola, reconhece o impacto negativo que a decisão norte-americana poderá ter, tendo em conta o peso financeiro dos EUA na instituição, mas considera que os efeitos poderão ser temporários.

“As recentes decisões dos EUA podem reduzir temporariamente os recursos e a capacidade operacional de algumas agências da ONU, mas também reforçam a necessidade de uma maior diversificação de financiadores e de cooperação multilateral, de forma a mitigar os impactos no apoio humanitário e no desenvolvimento à escala global”, afirma Emanuel Paim.

Esta perspectiva tem sido igualmente debatida em vários fóruns internos da ONU. Como exemplo, é apontada a reacção da China, que no ano passado manifestou disponibilidade para contribuir com 500 milhões de dólares para a Organização Mundial da Saúde (OMS), com o objectivo de compensar a saída dos EUA daquela agência, embora essas contribuições fiquem aquém das dotações norte-americanas.

No total, os EUA retiraram-se de 31 agências ligadas à ONU, incluindo o acordo climático e um organismo dedicado à promoção da igualdade de género e ao empoderamento das mulheres, bem como de 35 entidades não pertencentes às Nações Unidas, mas que mantêm parcerias no âmbito de iniciativas globais relacionadas com o combate às alterações climáticas, à fome, à defesa dos direitos humanos e à promoção da igualdade de género, entre outras.

A decisão do Presidente Donald Trump, formalizada através de uma ordem executiva, foi anunciada cerca de 42 horas após os EUA terem sido alvo de duras críticas no Conselho de Segurança da ONU, na sequência de um ataque militar à Venezuela. O anúncio surge também poucos dias depois de a principal tribuna política mundial ter aprovado o orçamento da organização para 2026, fixado em 3,45 mil milhões de dólares.

Perante desafios globais cada vez mais complexos, o orçamento da ONU poderá sofrer ajustamentos devido à ausência do financiamento norte-americano. Nesse contexto, o secretário-geral da ONU, António Guterres, já instou os EUA a cumprirem o seu papel, sublinhando que o país tem uma “obrigação legal de apoiar as agências” da organização.

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