Enquanto as lideranças políticas norte-americanas e venezuelanas trocam acusações e retórica sobre quem exerce, de facto, o poder em Caracas, a realidade social e financeira da população venezuelana continua a deteriorar-se. De acordo com diversas reportagens de órgãos de comunicação social sul-americanos, o bolívar, moeda oficial da Venezuela, tem registado uma acentuada desvalorização face ao dólar e ao euro, com impactos negativos no já frágil poder de compra da população.
Nas redes sociais circula a informação de que o salário mínimo nacional na Venezuela equivale actualmente a cerca de meio dólar, ou seja, aproximadamente 450 kwanzas.
Em Angola, por exemplo, o salário mínimo nacional é de 100 mil kwanzas (cerca de 108 dólares norte-americanos) nas grandes empresas, e de 50 mil kwanzas (aproximadamente 54 dólares) nas microempresas e empresas iniciantes (startups).
Apesar destes valores, muitos angolanos queixam-se do elevado custo de vida, tendo em conta a inflação, situada em 16,55%, bem como o aumento e a diversificação da carga fiscal.
Se já é difícil para os angolanos sobreviverem com um salário mínimo equivalente a 54 dólares, que dizer então da situação dos venezuelanos, caso se confirme que o salário mínimo naquele país ronda apenas meio dólar?
Ao Polígrafo África, o economista Hélder Reis refere que, nestas circunstâncias, a sobrevivência da maioria das famílias passa pelo recurso ao mercado informal, uma alternativa que, sublinha o especialista, acaba por prejudicar o Estado, nomeadamente ao nível da sua credibilidade e sustentabilidade económica internacional.
Mas será verdade que o salário mínimo na Venezuela equivale a cerca de 450 kwanzas?
Os dados disponíveis indicam que sim. Vários órgãos de comunicação social sul-americanos noticiam, com base em informações do Banco Central da Venezuela (BCV), que o salário mínimo caiu para cerca de 0,43 dólares, em resultado da contínua desvalorização da moeda nacional.
Actualmente, o salário mínimo venezuelano fixa-se em 130 bolívares, o que corresponde a aproximadamente 400 kwanzas.
Para fazer face a esta realidade, as famílias venezuelanas têm recorrido a mecanismos alternativos, como remessas provenientes do exterior, actividades informais e subsídios pagos pelo Estado. Entre estes apoios contam-se o vale-alimentação e a denominada “renda de guerra económica”, atribuída aos funcionários públicos.
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Avaliação do Polígrafo:




