“Hoje, os indicadores comportamentais dos sul-africanos justificam o Apartheid de que foram vítimas durante décadas. São irracionais”, escreveu Serafim Simeão no seu perfil da rede social Facebook.
Em reacção, a maioria dos internautas corroborou a posição do dirigente do partido liderado por Abel Chivukuvuku, embora também tenha havido quem chamasse a atenção para os riscos inerentes a essa perspectiva.
O comentário do secretário provincial do PRA-JA em Luanda surge na sequência dos ataques xenófobos protagonizados por sul-africanos de raça negra, que têm visado, na sua maioria, cidadãos de outros países do continente africano.
No dia 30 de Junho, por exemplo, um grupo de manifestantes deu um ultimato para que os estrangeiros abandonassem a África do Sul até terça-feira, 1 de Julho, sob pena de os ataques se intensificarem e assumirem uma violência ainda maior.
Importa referir que o regime do Apartheid na África do Sul – um sistema de segregação racial em que os cidadãos de raça branca eram privilegiados, em contraste com os negros, que dispunham de escassos direitos – foi instituído em 1948 e terminou em 1994. Na sequência do seu fim, realizaram-se eleições que foram vencidas por Nelson Mandela, o primeiro Presidente negro do país.
Dados históricos indicam que, durante o Apartheid, a população sul-africana era oficialmente dividida em quatro grupos raciais – bancos, negros, mestiços e asiáticos, tendo sido aprovada uma vasta legislação destinada a discriminar e segregar a população negra.
Entre as principais medidas segregacionistas impostas à população negra constavam a limitação da sua presença nas grandes cidades, o acesso restrito ou, em muitos casos, inexistente à educação e à saúde, bem como a obrigatoriedade de portar um passe para circular nos centros urbanos. Eram ainda obrigados a ter a identificação racial nos seus documentos pessoais, sendo que a maioria era forçada a residir em zonas conhecidas como bantustões.
As manifestações da população negra eram reprimidas com uma violência policial incomum. Registaram-se numerosas mortes, com destaque para os massacres de Sharpeville e de Soweto.








