O primeiro jornal lusófono
de Fact-Checking

Sonangol financiou obras da Refinaria de Cabinda em lugar da Gemcorp, como disse Lindo Bernardo Tito?

Sociedade
O que está em causa?
Após a inauguração da Refinaria de Cabinda, no dia 1 de Setembro, continuam a multiplicar-se comentários e questionamentos sobre o projecto, tanto nas redes sociais como no espaço mediático. Um dos mais recentes surgiu na Revista Zimbo, onde o comentador residente, Lindo Bernardo Tito, afirmou que a Sonangol assumiu um aporte financeiro que seria da responsabilidade da Gemcorp, parceira maioritária da infraestrutura. Mas será verdade?

“A empresa também não mostrou capacidade financeira. A Sonangol é que avançou. Quem entrou com o dinheiro foi exactamente a Sonangol, com 50 milhões de dólares, e só detém 10% da participação. A Gemcorp não tinha capacidade financeira para fazer esse investimento. Porquê? Porque é um gestor de activos financeiros. Aliás, já geriu activos de entidades públicas, como o BNA”, declarou Tito, no programa emitido no domingo, 7 de Setembro.

Segundo o jurista, a ausência de capital próprio por parte da Gemcorp justificaria, por si só, a opção da petrolífera estatal angolana em avançar com o investimento, sem depender da parceria. Tito sublinhou ainda que a Gemcorp não alocou fundos próprios, tendo recorrido a financiamentos.

Apesar de reconhecer os ganhos imediatos da Refinaria de Cabinda – nomeadamente a criação de empregos e a redução da importação de derivados de petróleo -, o comentador colocou em causa a vocação da Gemcorp para o sector petrolífero.

“A minha questão neste momento é olhar para a empresa que detém 90% das acções da refinaria, ou seja, a Gemcorp. A Gemcorp não é vocacionada para o sector petrolífero, é uma empresa de gestão de activos financeiros. Caiu nesta refinaria de paraquedas. Não ganhou concurso absolutamente nenhum. Há informação de que surge por desistência da empresa que teria vencido o concurso”, acrescentou Tito, defendendo que o Executivo deve esclarecer publicamente os contornos do negócio.

Mas será verdade que a Sonangol assumiu encargos que cabiam à Gemcorp?

Embora a questão tenha gerado controvérsia, o próprio presidente do Conselho de Administração da Sonangol, Sebastião Martins, confirmou ao semanário Expansão que a petrolífera desembolsou um montante inicialmente previsto para a Gemcorp, de modo a desbloquear as obras da refinaria, que já conheciam sucessivos atrasos.

De acordo com a publicação, o dinheiro serviu para pagar ao construtor norte-americano responsável pelos primeiros módulos da Refinaria de Cabinda. O valor global não foi divulgado por existir um acordo de confidencialidade, mas especialistas ouvidos pelo jornal estimaram o aporte em cerca de 50 milhões de dólares – o mesmo número referido por Tito.

Apesar da polémica em torno da reduzida participação accionista da Sonangol (10%), o ministro dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás, Diamantino Azevedo, assegurou  que Angola mantém a soberania sobre o petróleo e os produtos que serão processados na Refinaria de Cabinda.

__________________________________

Avaliação do Polígrafo África:

Partilhe este artigo
Facebook
Twitter
WhatsApp
LinkedIn

Relacionados

Em destaque