Talvez nunca, com excepção do congresso de 1974, um conclave do MPLA tenha registado tamanha mobilização como a que antecede o IX Congresso Ordinário, agendado para os dias 9 e 10 de Dezembro próximo.
A razão deste frenesim prende-se com a possibilidade de, pela primeira vez desde a abertura democrática, há mais de três décadas, um congresso do MPLA poder contar com múltiplas candidaturas à presidência do partido.
Ao todo, cinco quadros já manifestaram intenção de concorrer. Até ao momento, porém, apenas João Lourenço reuniu a documentação necessária e formalizou a sua recandidatura junto da Subcomissão de Candidaturas.
Higino Carneiro, por sua vez, afirma já ter recolhido mais de 10 mil assinaturas, cerca de 50% acima do número exigido pelos documentos orientadores do partido, mas diz ter sido obrigado a repetir o processo, depois de a Subcomissão ter apresentado um modelo de ficha de candidatura diferente do anteriormente utilizado.
Independentemente deste imbróglio relacionado com a recolha de assinaturas, as respectivas pré-candidaturas têm intensificado os esforços de mobilização, tanto junto da sociedade como, sobretudo, da massa militante. Entre as estratégias adoptadas destacam-se a divulgação de actos de massas, vídeos e textos de figuras influentes em apoio a uma ou outra candidatura.
Vários Comités Provinciais do MPLA têm manifestado apoio à recandidatura de João Lourenço, nalguns casos através de declarações publicadas na rede social Facebook e, noutros, mediante a realização de actividades de massas.
Higino Carneiro já chamou a atenção para a alegada ilegalidade desses actos, mas as estruturas partidárias mantêm as iniciativas.
Para além do apoio institucional, circulam igualmente declarações individuais de altos quadros do partido em alegado apoio a João Lourenço. Entre essas figuras encontra-se Bento Joaquim Sebastião Francisco Bento, conhecido politicamente como Bento Bento, antigo governador de Luanda e ex-primeiro secretário provincial do MPLA na capital, cargo que exerceu em duas ocasiões.
Num vídeo posto a circular nas redes sociais, Bento Bento, considerado por muitos um dos maiores mobilizadores da história recente do MPLA, apela ao apoio ao projecto político de João Lourenço e à unidade em torno da sua liderança.
“Temos de estar todos unidos, apoiando permanentemente a liderança, apoiando a bandeira, não dando espaço aos fofoqueiros, aos intriguistas, àqueles que querem estragar o trabalho do MPLA. Estão no MPLA, mas estão a estragar; são fofoqueiros, intriguistas, caluniadores. É preciso apoiar o projecto do líder, o projecto da liderança do camarada João Lourenço, para que o trabalho que tem vindo a fazer pelo país e pelo MPLA continue”, afirmou Bento Bento no referido vídeo.
Mas será que o vídeo corresponde ao contexto político actual?
Antes de responder à questão, importa referir que o vídeo tem suscitado numerosas reacções nas redes sociais. Alguns internautas questionam a razão de o MPLA voltar a destacar Bento Bento após o desaire eleitoral de 2022 em Luanda. Outros levantam dúvidas quanto ao momento em que as declarações terão sido feitas, suspeitando que não estejam relacionadas com o congresso agendado para Dezembro próximo.
Ao que tudo indica, o vídeo é autêntico, mas encontra-se descontextualizado. Ou seja, não é recente.
Segundo registos do Comité Provincial do MPLA em Luanda, o vídeo foi publicado a 12 de Julho de 2021, após ter sido captado durante uma actividade de massas liderada por Bento Bento.
As declarações do então primeiro secretário provincial do MPLA em Luanda ocorreram numa altura em que vários altos quadros do partido manifestavam preocupação com a reduzida participação dos jovens nas actividades de massas, bem como com alegadas divergências internas atribuídas aos chamados “marimbondos”, visados em processos judiciais relacionados com práticas de gestão danosa do país.
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Avaliação do Polígrafo África:




