Depois do polémico encontro com Volodymyr Zelensky, Donald Trump voltou a protagonizar um momento tenso na Casa Branca na última semana — desta vez com o Presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa. Durante a reunião, o líder norte-americano fez uma série de alegações sobre um alegado “genocídio branco” na África do Sul. Como parte das supostas provas, Trump exibiu um vídeo que, segundo afirmou, mostraria uma vala comum com os corpos de mais de mil fazendeiros brancos.
As imagens reproduzidas por Trump no Salão Oval mostravam filas de cruzes brancas que se estendiam ao longo de uma estrada rural. “Estes são locais de enterro… mais de 1.000 agricultores brancos… esses carros não estão a circular, estão parados ali para prestar homenagem aos familiares que foram mortos”, afirmou. Mas será mesmo verdade?
Vários momentos do encontro tornaram-se virais, levando plataformas de verificação de factos a analisar algumas das declarações do presidente dos Estados Unidos. Nesta sequência, confirmou-se que o suposto vídeo da vala comum não apresentava aquilo que Donald Trump tinha mencionado.
De acordo com o “Lead Stories”, as imagens mostram uma homenagem a Glen e Vida Rafferty, um casal de agricultores brancos que foi brutalmente assassinado na sua quinta na zona de Normandien, perto de Newcastle, em agosto de 2020.
O protesto consistiu na colocação de centenas de cruzes brancas ao longo de uma estrada também como forma de chamar a atenção para os assassinatos de agricultores no país. Um agricultor envolvido na organização da homenagem confirmou agora em 2025 à BBC que as cruzes eram um memorial temporário, e não uma vala comum.
As imagens foram localizadas numa área na província de KwaZulu-Natal, perto da cidade de Newcastle. Fotografias do Google Street View, captadas em maio de 2023 — quase três anos após a publicação inicial do vídeo — mostram que as cruzes já não estavam no local.
Segundo a BBC, a África do Sul tem uma das maiores taxas de homicídio do mundo. Segundo dados do Serviço de Polícia da África do Sul (SAPS), houve 26.232 homicídios no ano passado, 44 dos quais foram mortes dentro da comunidade agrícola. Os dados disponíveis não detalham a raça da vítima, mas também não apoiam as alegações de “genocídio branco” feitas por Trump.
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Avaliação do Polígrafo África:



