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VIII Congresso. Quem sobrevive ao escrutínio do Comité Nacional para a candidatura a secretária-geral da OMA?

Política
O que está em causa?
Das quatro mulheres, conhecidas e influentes na arena política nacional, que submeteram processos para se candidatarem ao cargo de secretária-geral da Organização da Mulher Angolana (OMA), organização feminina do MPLA, uma já foi afastada por não cumprir o requisito mínimo de dez anos de militância. Das três restantes, apenas duas deverão ser aprovadas, após o escrutínio do Comité Nacional do referido organismo partidário.

O VIII Congresso Ordinário da OMA, o primeiro com múltiplas candidaturas desde a sua fundação, há 64 anos, decorre entre os dias 28 de Fevereiro e 1 de Março. O período de apresentação das candidaturas encerrou ontem, quinta-feira, dia 15.

A subcomissão de candidaturas registou quatro manifestações de intenção: Emília Carlota Sebastião Celestino Dias, a primeira a submeter o processo; Maria de Lourdes Roque Caposso Fernandes; Graciete Dombolo Chivaca Sungua; e Adelina Samba Rosa Bambi Louzada, que apresentou a candidatura a três dias do termo do prazo, tendo sido excluída por não cumprir o requisito mínimo de dez anos de militância.

À semelhança do que ocorre noutras estruturas do MPLA, como no congresso da JMPLA, independentemente do número de interessados, apenas duas candidaturas são habitualmente validadas, após uma análise rigorosa dos processos submetidos.

Assim, até sábado, dia 17, o Comité Nacional deverá escolher, por votação, as duas militantes consideradas com melhores condições para disputar o cargo de secretária-geral da OMA.

Nos corredores da sede da OMA, no Alvalade, antevê-se um exercício complexo, tendo em conta o perfil e a capacidade de mobilização das pretendentes. Foi nesse contexto que a secretária-geral cessante, Joana Tomás, apelou, em conferência de imprensa, para que não se criem alas, sublinhando que está em causa a escolha da líder de toda a organização.

Emília Carlota Dias

Foi a primeira candidata a submeter o processo. Emília Carlota Sebastião Celestino Dias completa 54 anos em Julho deste ano e milita na OMA há 27 anos.

Deputada à Assembleia Nacional, é esposa do actual governador do Banco Nacional de Angola (BNA), Manuel Tiago Dias. Foi membro da Organização dos Pioneiros de Agostinho Neto (OPA), exerceu funções dirigentes a nível provincial e nacional na JMPLA e integra actualmente o Comité Nacional da OMA, o Bureau Político e o Comité Central do MPLA.

Professora de profissão, é licenciada em Ciências da Educação. Desempenhou os cargos de segunda secretária da Mesa da Assembleia Nacional (2008–2012), primeira secretária da Mesa (2012–2017) e primeira vice-presidente da Assembleia Nacional (2017–2022).

Graciete Sungua

Nascida a 19 de Fevereiro de 1977, na província do Bié, Graciete Edine Dombolo Chivaca Mateus Sungua é membro do Comité Central do MPLA e integrou o Secretariado Executivo Nacional cessante, onde exerceu as funções de coordenadora nacional de Disciplina e Auditoria. Iniciou a militância na infância, ao integrar a OPA, em 1985, e filiou-se na OMA em 1992.

Engenheira de Petróleos e mestre em Engenharia de Reservatórios, formada nos Estados Unidos da América, exerce actualmente o cargo de chefe do Departamento de Engenharia de Reservatórios da Sonangol, sendo a primeira mulher a ocupar esta posição.

Proveniente de uma família historicamente ligada à política e ao MPLA no Bié, é filha da nacionalista e antiga deputada Alice Dombolo Chivaca, ex-secretária-geral adjunta da OMA, falecida em 2013. É sobrinha de Jorge Inocêncio Dombolo, deputado e membro do Bureau Político, e do malogrado Baltazar Gourgel Dombolo, antigo director interino do SINFO, sendo casada com José Sungua, ligado a iniciativas de desenvolvimento comunitário através da Associação dos Naturais, Descendentes e Amigos do Bié (ANABIE).

Maria de Lourdes Caposso

Advogada e mestre em Petróleo e Gás, Maria de Lourdes Roque Caposso Fernandes completa 55 anos em Maio próximo. É deputada à Assembleia Nacional e membro do Comité Nacional da OMA e do Comité Central do MPLA.

Em 2024, foi distinguida pela revista O Telegrama como uma das 100 mulheres mais influentes de Angola. Fundadora da African Woman Capital Fund, iniciou a carreira na sociedade de advogados Miranda & Associados e, em 2001, integrou a ExxonMobil como advogada interna, tendo trabalhado no escritório central da empresa, no Texas.

Considerada uma profunda conhecedora da legislação do sector petrolífero, integrou o grupo responsável pela elaboração de diplomas sobre política de investimento estrangeiro, no seio da firma RCJE, constituída por Raul Araújo, Carlos Feijó, João André Pedro, Edeltrudes Costa e Eurico Paz Costa.

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