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“Zona de Comércio Livre Africana é o maior espaço de comércio livre” do mundo, como disse João Lourenço?

Política
O que está em causa?
Falando na qualidade de Presidente da União Africana num evento à margem da 80.ª Sessão da Assembleia Geral da ONU, que debateu os caminhos para a aceleração industrial do continente berço, João Lourenço destacou a necessidade da aposta na industrialização de África. E sublinhou que o continente tem hoje o "maior espaço de comércio livre desde a criação da Organização Mundial do Comércio".

Iniciativa da agência especializada da ONU para o Desenvolvimento Industrial, o evento  juntou diferentes governantes africanos – sobretudo ministros, que entre outros objectivos, foram desafiados a idealizar o melhor caminho para que a África chegue mais depressa ao desenvolvimento industrial.

“Hoje, com a adesão de 54 países e a ractificação por 49 Estados, a Zona de Comércio Livre Continental Africana representa o maior espaço de comércio livre desde a criação da Organização Mundial do Comércio, sendo importante considerar-se que a sua implementação tem potencial para aumentar o comércio intra-africano entre 15 e 25%, criando maiores oportunidades de exportação, maior valor acrescentado industrial e serviços diversificados”, referiu João Lourenço.

O Chefe de Estado angolano e líder da União Africana falou também da importância do sector agrícola no continente, tendo referido que o segmento representa 17% do Produto Interno Bruto de África e garante emprego a cerca de 50% da população.

Mas será verdade que a Zona de Comércio Livre Africana é o maior espaço de comércio livre do mundo?

Sim. De acordo com um relatório do Banco Mundial, o acordo de Zona de Comércio Livre Continental Africana criar a maior zona de comércio livre do mundo tendo em conta o número de países participantes. O pacto, que entrou em vigor em 2021, estabelece a ligação entre 1,3 mil milhões de pessoas em toda extensão continental.

Porém, importa referir que, a Zona de Comércio Livre Africana é a maior do planeta apenas pelo número de países participantes combinando com o número de consumidores, mas continua economicamente pouco expressivo, tendo em conta que o continente representa apenas 3% do comércio a global, como referiu Sandra Antunes Boumah, chief representantive do Commerzbank em Marrocos, na oitava edição do EurAfrican Forum 2025, organizado pelo Conselho da Diáspora Portuguesa.

Os dados, entretanto, foram nessa semana referenciados pelo especialista angolano em Relações Internacionais, Osvaldo Mboco, durante a sua participação no programa Debate Livre, da TV Zimbo.

Além de ser pouco expressivo no comércio com o resto do mundo, a nível intra-africano, também as trocas são de ‘pouca monta’, o que provocou, segundo o governador do Banco de Moçambique, Rogério Zandamela, a perda de 22 mil milhões de dólares nos últimos 10 anos.

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Avaliação do Polígrafo África:

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