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Luanda aos 450 anos: uma esperança por cumprir

A liberdade — de iniciativa, de acção e de opinião — deve ser o combustível moral de todo o desenvolvimento. Isto porque, como tão bem sublinhou um dia John F. Kennedy, não existe problema no mundo que não possa ser resolvido por homens e mulheres livres.

Luanda celebrou este domingo, dia 25, os seus 450 anos. Nasceu como um porto, cresceu sob a opressão da ditadura colonial; lutou bravamente pela independência, que justamente conquistou à base de sangue, suor e lágrimas; sobreviveu a uma bárbara guerra civil e, já em plena euforia provocada pela “normalização” das instituições, transformou-se finalmente numa cidade que exalava esperança. Esperança numa economia vibrante. Esperança numa sociedade civil enérgica. Esperança numa cidade em que pensar e falar livremente não fosse considerado uma agressão ao bem comum.

Chegados a este ponto, importa fazer um ponto de situação. O que é feito dessa esperança? O que é Luanda hoje e o que nos diz sobre o país de que é a face mais visível? Já lá iremos às estatísticas, mas comecemos pelas ruas: “Antigamente era boa, Luanda. As coisas eram diferentes, mas hoje já não temos aquela Luanda”, disse à Agência Lusa a “Tia Luzia”, como é conhecida no Mercado da Chapada. A anciã, de 69 anos, denuncia o facto de os moradores da zona estarem há seis meses sem água. Fala também do desemprego juvenil. E da fome, a maior de todas as pragas.

Dados oficiais indicam que mais de 40 por cento dos angolanos vivem abaixo da linha de pobreza. Essa realidade é visível nos musseques de Luanda, onde milhões de pessoas lidam diariamente com a falta de água potável, saneamento básico, electricidade, transportes e habitação condigna. Embora a capital seja um pólo de oportunidades, é também um espaço de profundas desigualdades, à imagem do que acontece em todo o território nacional. Não sou eu que o digo: é o índice de Gini.

Ora, ter uma nação profundamente desigual é o gatilho número um para provocar uma fractura social. Para que Luanda — e Angola como um todo — cumpra a enorme esperança que em tempos gerou, há três tarefas fundamentais a empreender: primeiro, o Estado e o governo devem deixar definitivamente de se confundir; segundo, a lei deve ser aplicada com equidade, sem privilégios nem favorecimentos; e, por último, a liberdade — de iniciativa, de acção e de opinião — deve ser o combustível moral de todo o desenvolvimento. Isto porque, como tão bem sublinhou um dia John F. Kennedy, não existe problema no mundo que não possa ser resolvido por homens e mulheres livres.

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